Hoje, é moda se falar em aumento de preços de alimentos por causa da produção de bio-combustíveis. Há uma grande onda que fala em fome das populações e de gasolina barata para os ricos como causa.
Pode ser que isto venha a ocorrer, mais não é o que está acontecendo agora. A recente alta dos preços das commodities não é causada por isso. Talvez haja um pequena influência de preços nos EUA, mas em geral, a alta de preços está com o recente acesso à comida de uma população pobre que estava totalmente excluída.
No Brasil, a região Nordeste acaba de passar a região Sul em consumo. "O volume de compras dos nordestinos pulou de R$ 252,902 bilhões, no ano passado, para R$ 317,272 bilhões, este ano, uma alta de 25,42%... O Sul tem atualmente potencial de R$ 291,892 bilhões para compras em 2008, contra os R$ 253,254 bilhões registrados no ano passado" (O Globo - 11/05/2008).
De acordo com dados do IBGE de 2003, as regiões Norte e Nordeste são de longe as que dedicam maior percentual de suas rendas em alimentação.
O Norte gasta 27,19% do orçamento familiar em alimentos, seguido do Nordeste com 26,79% do orçamento familiar gasto em alimentos. Para as outras regiões, os valores são: Sul - 19,95%, Sudeste - 18,89% e Centro-Oeste - 18,09%. (http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/orcfam/default.asp?z=t&o=20&i=P)
A região Nordeste é sem dúvida a região mais beneficiada pelo programa Bolsa Família do governo brasileiro. "Segundo o levantamento, a região Nordeste conta com o maior número de domicílios que receberam recursos do Bolsa Família - 31,3%. Depois, aparece o Norte, com 19,4%. No Centro-Oeste, 9,5% das moradias foram assistidas; no Sudeste, 8,2%, e no Sul, 8%" (G1 - 23/08/2008).
Quando vemos uma quebra por estado, eis o que aparece: "De acordo com o levantamento, Roraima é o estado que apresenta a maior taxa de domicílios que recebem dinheiro de programas sociais do governo - 50% deles. Depois, aparecem o Maranhão (41,3%), Piauí (40,2%), Ceará (39%), Paraíba (37,9%) e Alagoas (36,8%).
Na ponta de baixo, Santa Catarina tem o menor número de moradias beneficiadas - apenas 5,8%. O Rio de Janeiro aparece na seqüência, com 6%, seguido por São Paulo (7,6%), Rio Grande do Sul (11%), Distrito Federal (11,8%), Paraná (12,4%) e Amapá (13,2%)" (G1 - 23/08/2008).
Nota-se o padrão. Mas em seguida vem a pergunta; De quanto dinheiro estamos falando ?
"O Bolsa Família injeta anualmente 3,1 bilhões de reais na economia da região, alcançando 5,5 milhões de famílias. O número corresponde a aproximadamente 22 milhões de pessoas. Somente em Pernambuco, 43 por cento da população é atendida pelo programa, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social" (Reuters - 05/09/2006).
E o que estes números todos indicam ? O quê podemos concluir ?
Eu concluí algo que, para confessar, já acreditava antes de olhar estes números. O programa bolsa família é um grande programa de incentívo a produção primária brasileira. O governo dá o dinheiro às populações mais carentes, e estas, gastam com comida.
Os gastos com comida provocam uma valorização das commodities agropecuárias do mercado nacional. Ou seja, um subsídio indireto aos produtores brasileiros.
Se este subsídio fosse feito diretamente, a OMS, a UE e os EUA poderíam gritar e brigar. Mas do jeito que foi feito... foi uma jogada genial.
terça-feira, 13 de maio de 2008
Assinar:
Postagens (Atom)